terça-feira, 17 de abril de 2012

Prespectivas Pascais

Em tempo Pascal, as recentes palavras de Bento XVI sobre a profunda necessidade de renovação da Igreja a todos os níveis tem sido uma constante interpelação ao pensamento... Creio que em contexto de Seminário e formação Sacerdotal tal apelo não poderia ser mais vibrante e necessário. Desde logo para travar esse efeito de retrocesso que parece ter havido em relação á função fundamental dos Seminários. Refiro-me e para que não haja dúvida aos Seminários Diocesanos, muito em particular os Seminários Maiores. Falamos continuamente em nova evangelização, reinvenção, rê-apresentação, etc. Contudo, a formação tem ido tendencialmente ao encontro de uma outra imagem e realidade social que não a de hoje e muito menos a de um futuro próximo. Comecemos pela comunhão e união. Na Igreja Primitiva, «o grupo dos que haviam abraçado a fé» eram não só unidos, como também tudo partilhavam entre si. Isto levou á celebre afirmação: «Vede como se amam». Na realidade actual, evitar esta afirmação é necessário para não cairmos na vergonha. Criou-se uma espécie de caminho individualista, uma "lógica empresarial de auto-promoção a determinado cargo". Os outros, o próximo, são realidades cada vez mais distantes, menos "próximas", diríamos até concorrentes. Mas, se a tendência exacerbadamente individualista da sociedade hodierna impregnada de uma lógica consumista e egocentrista não ajuda a sensibilidade dos formandos, as políticas de formação são autenticas cartas de confirmação e mau incentivo. Criou-se um padrão farisaíco de conformidade, um sistema de resultados de cartaz, um modelo comercial de seminarista. Assim é fácil ostentar um impetuosa fachada brilhantemente esculpida e decorada que sustenta um interior em ruínas completamente inútil e inabitável, á excepção da função turística que sempre salvaguarda a grandeza de outros tempos. «Um reino dividido não pode subsistir», deste modo, não procuramos aqui outro objectivo que não o de alertar. Já se vão observando umas certas «Igrejas Particulares»  , «métodos próprios», «nesta paroquia faz-se, ali não se faz», «aquele pároco não sabe», «aquele padre deixa, este não, o outro não liga». A falta de credibilidade será um problema a enfrentar que é fruto desta realidade formativa. Não é difícil, contudo, ultrapassar este problema. O incentivo á união, protecção e ajuda aos outros deve ser encorajado. Deve ser recuperada a posição do grupo e não, somente, a posição particular. Incentivar a decisão em grupo sem interferir nela. Reconhecer validade e até «mais autoridade» quando se trata de uma decisão que chegou a consenso na comunidade. Fazer com que haja necessidade de união. Dar privilegio e autonomia ao grupo exercendo, da parte da formação, o carácter moderador e não puramente e somente  o de legislador supremo e absoluto. Tudo isto se traduz em aspectos muito práticos e fáceis de concretizar. Porque, então, se não opta por um modelo que claramente é mais apropriado e necessário ao nosso fim comum?

Nenhum comentário:

Postar um comentário