quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Bom ladrão?



É verdade, já lá vai algum tempo desde que escrevi aqui a última nota em tom de reflexão. Até então muita coisa mudou! Outras tantas haveriam de permanecer igual. Recuperei a condição pela qual sempre me perdi, esta vida de ser Teu. Tu és a minha tentação e a minha perdição. Até podia ser a Anabela, mas era tempo a mais que lhe faria perder e ela descobriria que o meu coração jamais lhe pertencera. No fundo seria mais uma que me suportaria as mágoas enquanto não voltasse á estrada. Quem sou eu afinal? Que identidade me destes que tanto me agustia compreender. Eu poderia ser qualquer um. Poderia criar o meu enredo á volta de uma complexa estrutura de ideais, poderia já estar casado, ter um rol de amigos tabernais, uma mulher fogosa que me aquecesse o peito másculo á perdição original. Agora que te recordo: Tinhas os cabelos longos, uma cara angelical e inocente, um passo subtil que tanto contrastava com o meu desarranjo. O sorriso era, talvez, o que melhor te definia: tão leve, tão…, tão feminino. Alegravas-me a alma. Mulher, mulher que me importunas ainda… Temos uma história curiosa… inocentes e felizes, riamos como perdidos daquele carro velho em que passeava-mos, tenho saudades do teu braço no meu ombro e dos beijos que me davas enquanto eu guiava aquele monte de sucata. Tínhamos o nosso mundo, tu compreendias-me tão bem, eu queria-te tanto. Mal anoitecia, eu largava a enxada e corria para ti. Entregávamo-nos á paixão, aquele vigor da juventude não perdoa ao servo mais ponderado… Hoje não consigo dizer mais nada…