terça-feira, 9 de junho de 2009

Tempos Novos de Velhos tempos

Nesta tarde de Junho chove, as pingas caem lentamente como se não quisessem magoar o chão… é triste a chuva de Junho: solitária, passageira, abandonada entre a bruma quente… Talvez ela adivinhe a sua insignificância! Talvez ela saiba que, no fundo, não faz sentido… Que não fará crescer, nem florir, nem medrar sequer a mais ínfima erva… por isso é branda, tão calma, tão cheia de nada… Nas botas preguiçosas, o asqueroso Almirante tardea a chegada… ninguém jamais lhe viu um rumo, uma ideia feliz, um sopro de brilho na mente tacanha de aspecto pensador…. E era enfim um filósofo, escovadamente importante, impetuosamente vaticinado por mestres temerosos, (esses sim de grave monta), da viciada existência comum á réstia mortal de homens franzinos…. Essa mesma, que estigmatiza o justo, em favor do bom interesse, (ó nobre interesse), da soberania maldita…. E depois, vêm a noite, e com ela o pensar do pobre, do recluso desta vida. Contemplando o céu, manso…. A noite, macia…. O demónio humano impedido de ver tal fresta, descansa… julgando que tudo parda de negritude. Mas o sol da noite ilumina, novamente, por essa fresta…. E a razão volta com a luz … a fé solta as amarras do dia. E tudo é tão natural, tão espontaneamente simples que nos julgamos plenos, demais felizes! … Mas a chuva cai novamente… e no limiar do horizonte, nasce a treva do dia. Nesta manhã de Junho chove, as pingas caem novamente, tão vagarosamente, e nada muda…nesta manha….como nada muda… no amanhã.